textes et vignettes

 


O Field Museum e a silhueta de Chicago.
Copyright: The Field Museum 1999; Hope Kaye/GN89313_3c

O museu Field oferece novas abordagens para o entendimento e a comunicação dos complexos processos sociais e dos padrões que estão emergindo neste novo milênio. Em Chicago, O museu Field oferece uma perspectiva antropológica e multicultural do urbanismo nesta fase de transição de uma economia industrial para uma economia baseada nas informações. Apresenta também possibilidades criativas para informar tanto o público local como o global.





Jardim comunitário em Chicago.
Copyright: The Field Museum 1999; Christine Dunford/CCUC.

Por toda a cidade de Chicago, os terrenos abandonados estão sendo ajardinados, embelezando a região ao mesmo tempo que comunidades estão se formando.





Sinagoga em Chicago.
Copyright: The Field Museum 1999; Victoria Hegner/CCUC.

Os sistemas ideológicos e as crenças sempre tiveram um papel importante nas culturas humanas. Em Chicago, os locais de oração como essa sinagoga oferecem um “lar religioso” para os novos imigrantes.




Agência de viagens, Chicago.
Copyright: The Field Museum 1999; Cortesia de Gretchen Fox/CCUC

Vínculos transnacionais são evidentes por toda a cidade de Chicago. Agências de viagens facilitam o acesso do imigrante de e para sua terra natal.





Demolição de prédios em Chicago.
Copyright The Field Museum 1998; Mario Longoni/CCUC

A estrutura das moradias públicas em Chicago está mudando de moradias densamente construídas para moradias mais espaçadas, mas será que essa nova estrutura é um progresso? Quando as pessoas são realocadas, toda a comunidade pode desaparecer.
  Aqui estão as legendas dos objetos e das fotos assim como os textos dessa unidade temática. É possível imprimi-los.

Field Museum of Natural History

Chicago é uma cidade jovem pelos padrões mundiais. Ela se “reinventou” depois do Grande incêndio e vem se fortalecendo desde então. Famosa por estimular as artes, a indústria e a arquitetura, é lá também onde ficam os mais importantes centros de pesquisas sociais sobre a vida urbana. Foi em Chicago que foram feitos os primeiros estudos sociológicos empíricos sobre a estrutura social e os padrão de organização do modo de viver nas cidades americanas, (os famosos estudos da Chicago School of Sociology sobre os anos 20 e 30, na Universidade de Chicago). Foi também em Chicago que Jane Addams, Thomas Dewey e outros conduziram as pesquisas e implementaram os programas de educação progressiva e melhoramentos das condições de vida dos moradores das cidades. Por isso tudo, ela se transformou em um modelo de uma das mais importantes transformações sociais do século 20.

Hoje, a cidade ainda passa por rápidas transformações, ajustando-se às forças da globalização, assim como muitas outras cidades das Américas. A urbanização, a rápida expansão das cidades, já é uma realidade universal. Novas abordagens se fazem necessárias para que se possa entender o complexo processo e os padrões que estão emergindo nesse período de transição de uma economia industrial para uma economia baseada em informações. A antropologia oferece uma perspectiva atual do urbanismo, perspectiva essa que induzida pelo método comparativo de várias culturas e de sua capacidade de integrar conhecimento sobre a extensão dos empreendimentos humanos através dos tempos. Com a chegada do novo milênio e entendendo melhor os processos econômicos e sociais no contexto humano, nos tornaremos mais críticos do que nunca.

Algumas das perguntas que os antropologistas estão se fazendo sobre a vida urbana são:

  1. Quais tipos de comunidades estão formando a população e como isso se reflete na organização demográfica, geográfica e espacial? Como isso se reflete na cultura material da vida diária?
     
  2. Como os residentes se moldam e interagem com o ambiente natural? Enquanto muitas pesquisas estão centralizadas nos frágeis e ameaçados ecossistemas, tais como as florestas tropicais ou as regiões semi-áridas, muito pouco se faz com relação aos ambientes urbanos. Na metrópole de Chicago ainda resta uma parte significativa de pradarias naturais e fragmentos de terra úmida, mais que em toda a região do Meio-oeste americano. Agora precisamos explorar como podemos engajar efetivamente as comunidades locais nas tarefas de preservação dessas áreas desertas, assim como melhorar a qualidade ambiental local.

  3. Quais são as origens do ativismo cívico? Faz muito tempo que os antropologistas refutam o modelo “deficitário” da vida urbana que afirma que as comunidades pobres não têm a capacidade organizacional de melhorar suas condições de vida. Pesquisas empíricas identificaram as origens dos ativos tangíveis e intangíveis, tais como instituições sociais (igreja, família, associações beneficentes), das redes sociais e da memória histórica. Com base nessa pesquisa podemos agora documentar as práticas de construção de uma comunidade e de uma cultura.

  4. Como um registro arqueológico pode ajudar a decifrar a história urbana? A arqueologia histórica é um subcampo que está crescendo e que poderá trazer novas e importantes informações que ajudarão a esclarecer os padrões do crescimento, do assentamento e da consolidação urbana.

Enquanto elaboramos esses programas de pesquisas para explorar essas questões, os museus podem trabalhar para formar novos colaboradores junto às universidades da região e às organizações cívicas. Os habitantes das cidades poderão então imaginar seus ambientes como centros vitais de cultura e de vida social para os séculos vindouros.

Alaka Wali, diretor, e Madeleine Tudor, Center for Cultural Understanding and Change (CCUC), Field Museum of Natural History, Chicago (EUA).